Almeida Couto
Direito Bancário

Busca e apreensão de veículo: o que fazer nas primeiras 48 horas

✍ Dr. Thales Couto · OAB/SP 468.120 📅 16 de janeiro de 2025 ⏱ 8 min de leitura

Receber uma notificação de busca e apreensão do seu veículo — ou acordar sem o carro na garagem — é uma das situações mais estressantes que um devedor pode enfrentar. A boa notícia é que você tem mais direitos do que imagina, e as primeiras 48 horas são decisivas para sua defesa.

Neste guia, explicamos como funciona a busca e apreensão de veículos no Brasil, quais são os seus direitos e o que fazer imediatamente para proteger seu patrimônio.

Como funciona a busca e apreensão de veículo

A busca e apreensão de veículo é uma ação judicial regulada pelo Decreto-Lei nº 911/1969 (com alterações pela Lei nº 13.043/2014). Ela permite que o credor — geralmente um banco ou financeira — tome de volta o bem dado em garantia de um financiamento quando há inadimplência.

Para que a apreensão seja legal, é necessário que:

Atenção: Ninguém pode tomar seu carro sem mandado judicial. Se isso acontecer, pode configurar esbulho possessório ou até furto. Exija sempre a apresentação do mandado judicial antes de entregar o veículo.

O que fazer nas primeiras 48 horas

1. Verifique se o mandado é legítimo

Antes de qualquer coisa, peça o número do processo judicial. Você pode consultar o andamento no site do tribunal (TJSP, TJRJ, etc.) para confirmar que a ordem é real e está dentro do prazo de validade. Mandados têm validade e não podem ser cumpridos fora dela.

2. Purgue a mora (pague as parcelas em atraso)

Após a apreensão, você tem um prazo de 5 dias úteis para pagar todas as parcelas vencidas (e as vincendas até a data do pagamento) e reaver o veículo. Esse ato é chamado de "purgação da mora".

Atenção: após o prazo de 5 dias, o banco pode pedir a consolidação da propriedade e vender o carro em leilão.

3. Consulte um advogado imediatamente

Se você não tem condições de pagar as parcelas em atraso, ou se acredita que a apreensão foi feita de forma irregular, procure um advogado nas primeiras 24 horas. Existem várias defesas possíveis:

Quando a busca e apreensão pode ser ilegal

A apreensão pode ser contestada e o veículo pode ser devolvido por liminar quando:

Caso real frequente: muitos contratos de financiamento veicular contêm juros superiores ao permitido pelas resoluções do Banco Central, ou tarifas bancárias cobradas ilegalmente. Uma revisão contratual pode reduzir significativamente o valor real da dívida — e até reverter a apreensão.

O veículo foi para leilão: ainda tenho saída?

Mesmo após o leilão, existem possibilidades. Se o valor obtido no leilão foi inferior ao saldo devedor, a financeira pode cobrar a diferença — mas se houver ilegalidades no contrato ou no processo, é possível discutir judicialmente para reduzir ou anular esse saldo remanescente.

Por outro lado, se o leilão rendeu mais do que a dívida, o excedente deve ser devolvido ao devedor. Na prática, os bancos nem sempre fazem isso — e o devedor precisa reclamar ativamente.

Posso renegociar mesmo com o processo em andamento?

Sim. Em muitos casos, o banco prefere um acordo extrajudicial a arcar com os custos de um leilão. Com assessoria jurídica, é possível negociar condições mais favoráveis de pagamento, reduzir juros aplicados e, em alguns casos, devolver o veículo sem ônus adicionais.

O segredo é agir rápido. Cada dia conta quando o prazo de purgação da mora está correndo.

Não perca seu veículo por falta de informação

Nossa equipe atua em casos de busca e apreensão com rapidez. Avaliamos seu contrato e sua defesa gratuitamente.

Falar com um advogado agora
⭐ 5.0 no Google 🔒 Consulta sigilosa ⚡ Resposta em até 24h OAB/SP nº 46378